Espanha vence nos pênaltis e avança à final

Depois de 120 minutos sem gols, Fúria bate Portugal nas cobranças de penalidades e faz a terceira decisão seguida
Jogadores da Fúria comemoram classificação para a final / Damien Meyer/AFP
Jogadores da Fúria comemoram classificação para a final
De toque em toque, a Espanha volta a uma final de Eurocopa em 2012. Depois de 120 minutos de intensa e pouco produtiva troca de passes e placar em branco com Portugal, a Fúria levou a melhor na disputa por pênaltis para se garantir na decisão.
Bom futebol mesmo em Donetsk (Ucrânia), nesta quarta-feira, só nos 30 minutos de prorrogação, quando os espanhóis mostraram porque dominam o mundo da bola atualmente. Mas nada de gol.
Nas cobranças de penalidades, valeu a moral de um time que se acostumou com grandes decisões. A de domingo será a terceira seguida, quando a seleção poderá completar uma inédita sequência, depois do título da Euro de 2008 e a Copa do Mundo de 2010. A fama de amarelona, pelo jeito, ficou mesmo para trás. E o time de Vicente Del Bosque, agora, pode fazer história. Se vencer a final, conquista o terceiro título continental e se iguala aos alemães. Além disso, ganha um inédito bi seguido com um Mundial entre as competições.
Já Portugal não conseguiu repetir a façanha de 2004, quando chegou à decisão. Comandada por Cristiano Ronaldo, que não teve as mesmas atuações inspiradas dos dois últimos jogos, a seleção segue sem um título de importância. Mas deixa a competição com um honroso lugar entre os quatro melhores da Europa, com uma eliminação diante do atual “bicho-papão” do futebol mundial. Além disso, conseguiu mostrar mais do que algumas jogadas de efeito de Ronaldo.
A estrela solitária de Portugal, que perdeu a melhor chance lusa no tempo normal, nem chegou a cobrar sua penalidade. Antes dela, João Moutinho e Bruno Alves desperdiçaram para os portugueses, enquanto Pepe e Nani converteram. Pela Espanha, Alonso abriu a série perdendo, mas, depois dele, todos fizeram: Iniesta, Piqué, Sergio Ramos – de cavadinha – e Fàbregas.
Na final, a Espanha pode repetir o duelo decisivo de 2008, contra a Alemanha. Os germânicos encaram os italianos nesta quinta-feira, na outra semifinal da Euro.

Cristiano Ronaldo deixa o campo desolado após eliminação
Cristiano Ronaldo deixa o campo desolado após eliminação - Foto: Anne-Christine Poujoulat/AFP

O jogo
Sem conseguir se aproximar muito da área, os espanhóis não conseguiram criar jogada alguma que levasse perigo ao goleiro Rui Patrício. O arqueiro português só foi exigido no segundo tempo no chute de fora da área de Xavi.
A Espanha se ressentiu de um atacante mais poderoso. A tentativa de Del Bosque com Negredo e David Silva não rendeu frutos, pois a forte marcação portuguesa impedia que a bola chegasse à dupla. Daí as entradas de Fàbregas e Navas no segundo tempo. Outra alteração que chamou a atenção foi a saída de Xavi para a entrada do atacante Pedro, um sinal de que o jogo de toque de bola espanhol não estava funcionando.
Portugal era a antítese da Fúria. Quando conseguia tomar a bola, saía em velocidade para tentar surpreender a defesa espanhola. Nani e Cristiano Ronaldo desciam pelas pontas, dando muito trabalho a Sergio Ramos e Jordi Alba.
As finalizações portuguesas foram todas para fora, mas foi o time luso que chutou mais a gol e esteve mais perto de tirar o zero no placar durante os 90 minutos. Infelizmente a pontaria de Cristiano Ronaldo não estava tão calibrada como o camisa 7 desejava, e invariavelmente os arremates saíam por cima do gol de Casillas. O astro do Real Madrid teve a chance de definir o duelo nos minutos finais, quando recebeu cara a cara com Casillas e mandou a bola na arquibancada da Donbass Arena.
O tempo passava e a permanência do 0 a 0 transformava a partida em um caldeirão de nervosismo. As entradas ríspidas se sucediam e muitos cartões amarelos foram mostrados no segundo tempo pelo árbitro turco Cüneyt Çakir. A prorrogação acabou sendo uma consequência óbvia.

Espanha melhora

Na prorrogação a Espanha ganhou o domínio do jogo. Jogar em alto ritmo, marcando em cima durante os 90 minutos, esgotou os jogadores portugueses. Portugal apenas se defendia e os espanhóis sufocavam.
Já no primeiro tempo dos 30 minutos extras, a Fúria teve a sua melhor chance na partida. Curiosamente a jogada nasceu de um chute bisonho de Navas, que não saiu. Pedro recolheu a bola, deu dois chapéus sobre João Pereira e passou para Iniesta, quase na pequena área, finalizar. Rui Patrício executou o seu milagre, impedindo o gol certo.
A defesa portuguesa brilhou no segundo tempo da prorrogação. Rui Patrício fez outra grande defesa em chute de Navas, Pepe, Bruno Alves e Fábio Coentrão espanavam todas as bolas. Os espanhóis dominavam, empurravam os lusos, que resistiam bravamente e conseguiram levar a decisão da vaga na final para os pênaltis.
Os espanhóis começaram mal, pois Rui Patrício defendeu o arremate de Xabi Alonso. Porém João Moutinho também foi parado por Casillas e Bruno Alves mandou a bola no travessão. Cristiano Ronaldo sequer teve chance de bater a última cobrança portuguesa, pois Fàbregas converteu o dele. A bola ainda tocou na trave antes de morrer nas redes.

Fàbregas converte penalidade que colocou a Fúria na decisão
Fàbregas converte penalidade que colocou a Fúria na decisão - Foto: Patrick Hertzog/AFP

FICHA TÉCNICA
ESPANHA (0 – 4 nos pênaltis)
Casillas, Sergio Ramos, Piqué, Arbeloa e Jordi Alba; Busquets, Xabi Alonso, Xavi (Pedro 42'/2ºT) e Iniesta; David Silva (Navas 15'/2ºT) e Negredo (Fàbregas 9'/2ºT) - Técnico: Vicente Del Bosque.

PORTUGAL (0 – 2 nos pênaltis)
Rui Patrício, Fábio Coentrão, Bruno Alves, Pepe e João Pereira; Raul Meireles (Varela 6'/2ºP), Miguel Veloso (Custódio 1'/2ºP) e João Moutinho; Nani, Cristiano Ronaldo e Hugo Almeida (Nelson Oliveira 36'/2ºT) - Técnico: Paulo Bento.

Local: Donbass Arena, Donetsk (UCR)
Data-Hora: 27/6/2012 - 15h45 (de Brasília)
Árbitro: Cüneyt Çakir (TUR). Auxiliares: Bahattin Duran (TUR) e Tarik Ongun (TUR)
Cartões amarelos: Sergio Ramos (ESP), Busquets (ESP), Arbeloa (ESP), Xabi Alonso (ESP); Fábio Coentrão (POR), Pepe (POR), João Pereira (POR), Bruno Alves (POR), Miguel Veloso (POR)
Cartão vermelho: Não houve