Mario Gobbi x Andres Sanchez, a criatura desafia o criador

postado por Marcondes Brito 
 

Quando era presidente do Corinthians, um dos principais motivos de orgulho de Andrés Sanchez era o fato de ter modificado o estatuto para não permitir reeleição e de não receber salário do clube. Lembro de uma entrevista que ele deu à revista Playboy em que falou textualmente:
“Não recebo salário, e sou eu que pago meu celular. Aprovei um estatuto com mandato de três anos, sem reeleição, e um dos motivos é justamente esse: o cargo não ser remunerado. Mesmo um cara numa situação financeira razoável, bem-sucedido, não pode ficar mais que três anos longe de seus negócios. Ou então os presidentes vão ser sempre uns velhinhos aposentados. É um dos motivos de o futebol ser tão arcaico”.
E nessa mudança de estatuto, está escrito também que o presidente que sai precisa cumprir uma quarentena de dois mandatos (6 anos) para poder candidatar-se novamente. Pois bem, o Conselho de Orientação do Corinthians recebe hoje uma proposta de mudança estatutária, reduzindo essa quarentena pela metade.
É claro que esta é uma articulação de partidários de Andrés Sanchez (senão do próprio), com o objetivo de permitir sua volta ao comando do Corinthians na próxima eleição. Acontece que Mário Gobbi – o atual presidente, eleito há um ano com o substancial apoio de Sanchez – é contra. Gobbi foi um dos responsáveis pela emenda que prevê a tal quarentena de seis anos. Portanto, ele não vê coerência em mudar de opinião agora que é presidente eleito. O mandato de Gobbi no Corinthians vai até o final de 2014.
“Não posso ser contra agora a desdizer o que disse alguns anos atrás. A emenda da quarentena por dois mandatos foi de minha autoria. Não seria coerente eu mudar de ideia agora. Continuo com a minha posição anterior”, diz o sensato Mário Gobbi, batendo de frente com o seu mentor e criador Andrés Sanchez.
CASOS & ACASOS
Qualquer semelhança entre essa manobra de Andres Sanchez para voltar ao poder e o terceiro mandato de Juvenal Juvêncio no São Paulo não será mera coincidência. Em ambos os casos, tudo se resume numa frase: “Vamos rasgar o estatuto do clube”. E ponto final