Alguém segura o Corinthians?
Para Thiago Scuro, consultor de Marketing Esportivo, ascensão do clube se deve à mudanças administrativas
Além da forte equipe dentro de campo, o clube vive fase espetacular. Está construindo o estádio próprio, sonho que durou mais de cem anos e agora está se tornando realidade. Liderança em vendas de camisas nos últimos anos, recordes de bilheteria e a supervalorização da marca consagraram o Corinthians como um das maiores forças econômicas do futebol e do esporte brasileiro. Após períodos instáveis, como o dramático rebaixamento em 2007, o clube do Parque São Jorge volta a ocupar uma posição exemplar, tanto no futebol como na administração.
Quem analisou e falou sobre esse momento explêndido do Timão foi o coordenador e professor do curso de Gestão de Marketing Esportivo da Trevisan Escola de Negócios, Thiago Scuro, que também é gerente executivo do Audax, clube paulista. Scuro comentou sobre a nova fase econômica do Corinthians, apontou os motivos que levaram a ascensão do clube e fez previsões para os próximos anos dessa nova fase do Timão.
Segundo o economista, há diversos motivos que justificam o crescimento das receitas do clube, que acarretou em títulos e ótima fase dentro das quatro linhas. "Há um impacto significativo dos direitos de televisão, dos novos contratos com as emissoras. Mas vejo que houve um aprendizado após o período MSI (parceria feita em 2005): o clube viu que precisa administrar todas suas áreas e não entregar isso na mão de empresas", disse Scuro.
Para ele, as novas formas de gestão foram primordiais para a 'explosão' econômica. "Um símbolo disso é a Arena Corinthians. O clube diz que irá administrar tudo sozinho, não está mais na mão de ninguém para explorar receita. Agora o clube tem um departamento de marketing exemplar, uma estrutura física de altíssimo nível, novo centro de treinamento, e um plano para melhorar a condição dos atletas das categorias de base", apontou Thiago.
Timão 'Europeu'?
Com a marca avaliada em cerca de R$ 1 bilhão, a tendência é que o Corinthians se aproxime cada vez mais dos grandes clubes da Europa, mas por enquanto ainda há uma diferença notável, tratando-se de administração financeira. "O mercado brasileiro vem evoluindo muito, mas ainda existe uma adversidade significativa de gestão, até porque o ambiente europeu exige muito mais que o nosso. O Financial Fair Play (normas de conduta financeira para os clubes europeus) é um exemplo. Outro ponto é a profissionalização dos clubes, que foi feito há muito tempo", afirmou o professor, que também aponta cuidados que o clube deve ter nos próximos anos.
"Tem que ser um ponto de atenção o fato da movimentação financeira ser maior hoje. Há um acréscimo significativo de receita de faturamento, mas as despesas, como os salários, vêm crescendo talvez na mesma proporção. É ter atenção a esse processo de receita versus despesa para que o clube aproveite esse momento excepcional de projeção e continue a ser uma instituição saudável do ponto de vista financeiro", finalizou Scuro.