Valdivia explica gesto obsceno e quer ficar
Meia chileno diz que agiu em resposta a aficionado conhecido por Zeca Urubu, que já brigou com João Victor, Fabinho Capixaba
Depois do entrevero em solo argentino, os uniformizados alegaram que a revolta aconteceu porque, antes da derrota para o Tigre (ARG) por 1 a 0, o camisa 10 acenou com a genitália para as arquibancadas do Estádio José Dellagiovanna.
O chileno admitiu que fez o gesto. No entanto, só agiu dessa maneira porque Zeca Urubu, integrante da uniformizada, proferiu xingamentos ("vagabundo" e cachaceiro") assim que o jogador entrou em campo para se aquecer. Zeca já brigou com João Vitor (2011), Fabinho Capixaba (neste ano) e também agrediu um bandeirinha na Libertadores de 2001.
“Quando entrei no campo pro aquecimento, já logo fui xingado por um torcedor, sabemos quem é, vocês também sabem. Ouvi só a voz dele. Cometi um erro a responder a esse torcedor e acho que os outros que estavam lá acharam que foi generalizado. Quero lembrar que fui muitas vezes hostilizado, xingado, vaiados, pelos torcedores da Mancha em vários jogos e nunca, mesmo jogando, respondi a eles ou fiz alguma declaração contra eles. Toda vez que aconteceu isso da torcida me xingar nos jogos, sempre meu discurso era de que um dia eles iriam voltar a me apoiar e que sou muito grato a toda a torcida do Palmeiras. Não é só a Mancha, tem milhões de torcedores e sigo agradecendo esses que me apoiam”, declarou o meia, antes de prosseguir com os esclarecimentos.
“Meu problema não foi com a Mancha, foi contra uma pessoa que, assim que fui ao campo, começou a me xingar. Cometi o erro de responder com gestos, mas quero deixar claro que não é contra a torcida Mancha Verde, por tudo o que já vivi durante os jogos. Já aconteceu de eu ser xingado e o resto do estádio me apoiar e eu não falei nada. Depois do jogo de quarta me perguntaram o que eu achava das vaias e em momento algum generalizei minha chateação pelo que aconteceu em geral. Mas sim contra uma pessoa que já teve problemas com outros jogadores, inclusive de briga. Espero que o erro de ter respondido ou as minhas palavras sejam bem canalizadas pelas pessoas. Vim aqui para esclarecer e dizer que nunca generalizei. Mas o que aconteceu no dia seguinte, até hoje estou triste, porque não é bom para o clube que eles apoiam, o mundo inteiro ficou sabendo (da briga)”.
Valdivia admitiu que ficou assustado com a atitude da Mancha no saguão de embarque em Buenos Aires (ARG), mas afirma não ter vontade de deixar o clube. Ele citou a permanência no Brasil após o sequestro em junho do ano passado como exemplo do carinho que sente pelo Palmeiras.
“Minha decisão de ficar aqui não passa pelo que aconteceu, já superei e dei mostras o quanto gosta do clube de estar aqui depois do sequestro. Forcei minha família a voltar (do Chile) pra permanecer tranquilo aqui com eles. O que aconteceu ontem não muda a minha decisão de ficar aqui. Não muda o carinho que sinto pelo clube, meu respeito pelos torcedores”, declarou.
“Recebi muito apoio da grande torcida do Palmeiras, mais de 13 milhões de palmeirenses, e esse apoio me motiva a continuar aqui, ano que vem é o centenário (do Palmeiras), quero ficar como jogador centenário, tirar o Palmeiras da Série B, fazer com que a gente ganhe algum título esse ano. É claro que você para pra pensar se é o momento de sair, mas esse momento está longe ainda, pelo carinho dos outros torcedores que têm ajudado bastante”.