Sede da Federação Egípcia de Futebol é incendiada por torcedores
Clube de polícia também foi alvo de torcida do Al-Ahly no Cairo.
Ataque ocorreu após pena de morte para envolvidos em tragédia de 2012.
Sede da Federação Egípcia de Futebol é tomada por fumaça densa após manifestantes atearem fogo no local em protesto a anúncio de pena de morte para 21 torcedores envolvidos em tragédia (Foto: Amr Nabil/AP)
Os bombeiros tentaram apagar as chamas que se propagavam pelo edifício da federação de futebol, localizado no mesmo bairro que o clube da polícia. Dois helicópteros do Exército também foram usados para combater o fogo.Pelo menos cinco pessoas ficaram feridas nos protestos, segundo informou um funcionário do Ministério da Saúde egípcio à agência estatal de notícias Mena.
Mais cedo, o juiz Abdel-Maguid Sobhi da Corte egípcia anunciou, ao vivo pela televisão, o veredito para 52 réus acusados no processo – ao todo, 73 pessoas foram julgadas, e 21 foram condenadas à morte em janeiro. Agora, cinco réus pegaram prisão perpétua, nove (incluindo um major-general e um coronel) ficarão 15 anos reclusos, seis pegaram 10 anos, dois foram condenados a 5 anos e um a 12 meses. Entre os absolvidos, estão sete oficiais da polícia suspeitos de atos violentos. Os advogados dos acusados poderão recorrer da decisão judicial.
Em janeiro, o anúncio da setença dos 21 torcedores pela Justiça egípcia gerou uma onda de protestos e outros óbitos. Cerca de 40 pessoas morreram em confrontos com as forças de segurança do país, a maioria baleada.
Como esperado, a decisão do tribunal não conseguiu acalmar as tensões sobre o caso, que assumiu características políticas em um momento em que todo o Egito está mergulhado em uma turbulência política, com piora da economia e crescente oposição às regras do presidente islâmico Mohammed Morsi.
Na expectativa de novas ondas de violência, as autoridades do país reforçaram a segurança próximo ao Ministério do Interior, que está no comando das forças policiais. A polícia foi enviada às ruas ao redor do complexo, no centro do Cairo.
Em Port Said, cidade localizada no Mediterrâneo, ao fim do Canal de Suez, e foi alvo da tragédia em 2012, esteve em rebelião aberta durante semanas contra o presidente islâmico. Centenas de pessoas, muitas delas parentes dos réus, se reuniram em frente aos escritórios do governo local para desabafar a raiva. Elas gritavam palavras de ordem contra o governo Morsi e os vereditos aos torcedores.
O tumulto na cidade começou em 25 de janeiro, quando centenas de milhares de pessoas em todo o país lembraram o segundo ano do início da revolta que derrubou o regime do ex-presidente Hosni Mubarak.
Durante os confrontos entre a polícia e manifestantes na semana passada, que incluiu bombas de gás lacrimogêneo, oito pessoas foram mortas em Port Said. Na sexta-feira (8), a polícia local entregou o controle de segurança da cidade ao Exército.
Entenda o caso
A tragédia aconteceu durante um jogo entre os times Al-Masry e Al-Ahli no estádio de Port Said. Quase no fim da partida, quando o Al Masry, mandante do jogo, vencia por 3 x 1, torcedores do Al-Ahli abriram cartazes com ofensas ao Al-Masry, e um deles entrou no campo com uma barra de ferro.
A torcida do Al-Masry reagiu invadindo o gramado e agredindo os atletas do Al-Ahli, e depois voltaram às arquibancadas para bater em torcedores rivais. Segundo testemunhas, a maioria das mortes foi de pessoas pisoteadas pela multidão ou que caíram das arquibancadas.
*Com informações da AFP e da AP
Fogo e fumaça densa são vistos na Federação Egípcia de Futebol em protesto por decisão judicial (Foto: Maya Alleruzzo/AP)
Torcedores do Al-Ahly fogem da fumaça e das chamas em clube da polícia no Cairo neste sábado (Foto: AFP)
Helicóptero do Exército sobrevoa clube e federação incendiados por torcedores (Foto: Maya Alleruzzo/AP)
Incêndio em clube da polícia levanta fumaça densa no Cairo neste sábado (Foto: Ahmed Gomaa/AP)
